A filosofia metafísica trata
esses dois temas de forma muito desigual. A razão é tudo de bom e a emoção é
tudo de ruim. No pensamento mitológico estão muitas das raízes da filosofia
clássica, como esta da origem do homem:
Graças
a Zeus a ordem se instaurou e tudo começou a ficar um tédio devido a esta ordem
instaurada - a Suíça que o diga. Então Prometeu e Epimeteu que eram deuses de
segunda classe foram falar com Zeus.
-
O quê que vocês sugerem? - disse Zeus.
-Que
deixe nós fabricarmos mortais. Por mais idiotice que fizermos, eles morrem
mesmo. É um problema que passa rápido. Porque se a gente não tiver o que fazer
é ruim.
Os
deuses autorizaram os dois irmãos a fazerem mortais. Epimeteu era mais burrinho
e Prometeu tinha até um sentimento de proteção em relação a ele. Ele vira pra Prometeu
e diz:
-
Prometeu! Prometeu! Posso fazer os animais?
-Vai
e Faz.
Então
Epimeteu apanhou uma cesta de atributos, todos que ele podia imaginar e
distribuiu equilibradamente entre todos os animais TODOS atributos e assim os
animais que ficaram preparado para enfrentar as intempéries e Epimeteu ficou
orgulhoso de sua obra.
Quando
ele voltou para contar para Prometer o que ele tinha feito Prometeu ficou
indignado:
-
Mas você é burro mesmo. O que as pessoas dizem de você, elas têm razão.
-Porque
tá tudo tão legal o elefante é grande mas não é veloz O Leão veloz mas não é
grande.
Prometeu
vira e diz:
-
o que é que eu dou para os homens se você já distribuiu tudo?
Epimeteu
vira e diz pela primeira vez na história da humanidade:
-Hi!
Foi mal.
Prometeu
então é obrigado a invadir o Palácio de Atenas e roubar a astúcia e entregar para
o homem. Com a astúcia ou o homem iria poder fabricar ele mesmo o que ele não recebeu.
O
homem nasce sem nenhum atributo, desmunido de condição de sobrevivência por si
próprio. Para compensar a cagada de Epimeteu, Prometeu lhe entregou a astúcia.
Os
deuses não gostaram da brincadeira e castigaram Prometeu porque quando Prometeu
deu astúcia ao homem o tornou quase Deus. O homem só não é Deus por que morre.
Mas podendo o homem traçar o seu destino tornou-se quase Deus. Para compensar
uma pobreza o homem acabou recebendo uma riqueza exagerada. Acabou recebendo um
atributo quase Divino: a capacidade de fabricar os próprios meios de
sobrevivência.
O homem nasce diferente dos
outros animais. Estes nascem sabendo o que vão fazer. O homem é o animal mais
inteligente porém o menos apto a sobreviver pelo seu instinto ao nascer. Será
que o instinto foi perdido ao longo das gerações de homens? Será que os homens
das cavernas também não tinham extinto desenvolvido?
Na perspectiva platônica nós
termos duas substâncias o corpo e alma não. Não é uma combinação agradável pois corpo e alma não combinam
bem pois o corpo é como toda a matéria está em fluxo, em transformação e marcada
pela finitude. A alma está mais ligada ao pensamento puro do universo.
O que faz o corpo? Deseja. O corpo deseja porque ele não fica
parado. Se ele ficasse parado não desejaria. E por ficar em movimento qualquer
eventual instante de satisfação já se transforma em insatisfação.
Então triste daquele que
consagra a sua alma a resolver os problemas do corpo porque o corpo demanda a
alma. “Escuta, estou com sede.” Então demanda a alma matar a sede. A vida
triste é a vida pobre com a alma atendendo ao corpo. “Tô com fome, vamos comer
aonde?” Aí chega lá e pede o cardápio e está aí a alma ocupada e perdendo tempo
com as coisas do corpo.
Então o que que seria bom se
a alma não precisasse fazer isso. Seria bom que a alma pudesse se afinar uma
verdade do universo. Que é o que lhe é familiar. Seria bom que ela não ficasse
discutindo o que nós vamos comer. Então seria
bom que o corpo desejasse menos. O ideal mesmo seria que o corpo não desejasse.
E pra que ele não desejasse seria bom que ele morresse logo. Essa é a
perspectiva da vida, um mal. Quando morre
a alma volta se afinar com a verdade do cosmos. Eu não preciso dar conta de um
corpo que é uma porcaria. Que só atrapalha.
Aristóteles é mais legal ele
é aluno de Platão mas discorda dele em quase tudo. Aristóteles é mais
compatível com a gente. Ele tem mais simpatia com o mundo da vida. Era um
observador do mundo diferente de Platão que era um matemático muito triste.
O pensamento de Aristóteles é
um pensamento relativamente simples. Eu só posso conhecer as coisas como elas
são se eu conhecer as suas finalidades. Com isso Aristóteles era conhecido pensador
finalista. Isso quer dizer que a finalidade das coisas é a razão pelas quais
elas existem. A finalidade é a causa das coisas. E é por isso que Aristóteles
chamava isso de causa final. Então se você quer saber porque o Professor Clóvis
é do jeito que é jamais descobriria se você não fizer uma reflexão prévia para porque
o Professor Clóvis vive. Porque ele só foi feito como é porque havia a
necessidade de alguém cumprir essa finalidade.
Porque que o coelho é como é,
o pensamento aristotélico é que ele é biológico por excelência. O joelho é como
é porque ele serve para dobrar. Então dobrar é a sua finalidade. É a causa de
joelhos. O intestino é como é porque serve para excretar. Conforme você pode
perceber eu não sou você razão pela qual minha finalidade não é a mesma da sua.
Porém somos todos humanos e
este é o ponto de convergência temos pontos em comum na nossa singularidade
física e finalidades. Então temos que encontrar a nossa finalidade a nossa
semelhança entre os demais. E a finalidade comum a todo o mundo e a eudaimonia
ou a felicidade. Professor Clóvis, a finalidade dar aula e ser feliz. A vida
boa pressupõe um corpo tonificado energizado para o mundo.
Mas como vou encontrar minha finalidade? Só vai
ocorrer se eu estiver encaixado no tudo. Daí a energia do universo passará por
mim mas isso só acontece se eu estiver no lugar certo fazendo a coisa certa. O
vento já está no lugar certo. E pra nós não porquê pra nós o lugar certo é uma
descoberta, uma investigação e a chance de viver a vida inteira no lugar errado
é enorme. Para achar esse encaixe será custoso e exigirá discernimento e razão.
Tudo por culpa de Epimeteu.

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